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#beda: dia mundial do ciclista
sábado, 15 de abril de 2017 at 11:00
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Como todos sabem, não sou uma grande esportista. Na verdade, as únicas atividades que me interessam são aquelas que eu posso realizar na minha cama. Mas vira e mexe sou rodeada de ciclistas na minha vida.

Eu não lembro quando eu aprendi a andar de bicicleta, mas como tudo que exige noção de espaço e equilíbrio, eu faço, mas não muito bem. Quando eu morava no Japão e tinha bicicleta, as pessoas me deixavam pro fim da fila, porque diziam que eu pedalava muito torto!


Meu irmão é ciclista, desses que faz trilha e encara percursos de 100km num dia, se puder, faz os percursos que tem que fazer de bike e manteve a rotina até quando morava em SP (apesar de morar no meio dos morros das Perdizes).

Quando eu trabalhava no Jardim Europa, tinha uma colega que ia sempre de bike, saindo lá da Pompéia.

E agora, nesse novo emprego, tem uma galera que vai trabalhar de bike. Todos esbeltos e saudáveis. Que vem de vários lados da cidade.

É muito lindo quando a gente viaja pra países desenvolvidos e vê que a cultura da bicicleta é sim possível, mas toda mudança causa desconforto e leva tempo pra se acostumar. Em Londres e Paris muita gente anda de bicicleta, e as ruas são bem caóticas. Mesmo em Amsterdã as ciclovias são caóticas. Mas funciona. E olha que lá chove e faz muito mais frio do que em São Paulo. E nem preciso falar que no Japão todo mundo faz tudo de bicicleta pelo menos uma vez na vida, né? Já vi senhorinhas, tipo a minha mãe, pedalando por cidades como Kyoto ou Tokyo. Que são grandes e caóticas.

Todo mundo merece respeito, principalmente no transito, a rua é de todos, então tome cuidado com o ciclista também, ele está utilizando um espaço ao qual tem o mesmo direito que os carros.

It's #beda time!!! Blog Every Day in April é uma proposta de blogagem pra agitar a blogosfera, onde a gente se propõe a tentar publicar pelo menos um post por dia o mês de abril inteiro. Se quiser saber mais, se juntar a galera ou só descobrir um monte de blog legal novo, clica no banner acima ;)

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that would be me. bye!

sexta feira da paixão
sexta-feira, 14 de abril de 2017 at 11:00
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Eu não sou cristão, porém cresci numa sociedade bastante católica. E enquanto não me derem um Estado de fato laico, vou usufruir desses feriados religiosos sim. Inclusive acho que deveria entrar na conta os feriados budistas/xintoístas, os judeus, muçulmanos e de crenças africanas também, que é pra incluir o máximo de gente possível!

Enfim, só vim dizer que hoje é o dia que a gente não deve comer carne vermelha. Eu não me ligo muito nisso, mas é um dia que eu faço questão de comer bacalhau, só porque é tão caro e eu nunca tenho oportunidade de comer no resto do ano. Eu não sou muito boa na cozinha e minha mãe tem muito preconceito com peixe se não for aquele acabado de ser pescado (medo de estar estragado e tals).

Eu já comi carne vermelha na sexta feira santa. Já comi até churrasquinho americano numa delas! Mas eu não tenho nada contra comer um prato num dia específico. O que eu tenho contra é achar que isso vai livrar as pessoas dos pecados que elas cometeram o resto do ano (e por pecado eu digo coisas de ruim que elas jogam no universo pela pura maldade, não aquilo que você conta pro padre do confessionário).

Lá em casa geralmente a gente vai almoçar nos meus tios, a bacalhoada da minha tia é fantástica, mas sempre rola outros pratos porque o fresco do meu irmão não come nada que faz tchibum... Sim, ele sofre muito bullying por ser um japonês que não come peixe.


Mas essa sexta feira eu vou passar longe da família, mas perto de um amigo. O Júnior vem pra SP passar as férias e vamos sair. Mas dizem que os amigos são a família que a gente escolhe, então tá tudo bem, né!

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desejo do ego
quinta-feira, 13 de abril de 2017 at 10:30
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Ultimamente tenho divagado muito sobre relacionamentos. Desde que voltei ao Brasil, sabia que mais cedo ou mais tarde eu sentiria a necessidade de procurar por um, e quando voltei a morar em São Paulo resolvi começar, mesmo que lentamente, a procurar por isso.

Embora eu seja totalmente a favor da liberação sentimental e sexual das mulheres e entenda perfeitamente como mulheres podem transar como a Samantha Jones, descobri que isso simplesmente não é muito pra mim.

Como introvertida, odeio conhecer gente nova. Já tenho faniquitos de ter que me sujeitar a dates, quem dirá dessa ideia de sair cada dia com um cara estranho diferente? Oh, the horror!!! Eu poderia me contentar com um PA fixo, mas eu me conheço, e se eu vou ter paciência de sair sempre com a mesma pessoa é porque eu curto e no médio prazo o que era pra ser casual se transformaria em uma muleta emocional e eu quebraria a cara e o coração, e se tem algo que eu evito nessa vida é sofrimento sentimental (vide post sobre ser INTJ), então o que me resta é procurar um namorado.

Mas veja bem: eu sei perfeitamente que eu sou bem feliz sozinha. Eu não preciso de ninguém pra me fazer feliz. Seria bacana alguém pra compartilhar o lado bom da vida, mas não é essencial. Então pra que eu quero me meter numa história que nunca deu certo pra mim?

Ter um namorado é um desejo do ego. Mais do que amar, todo mundo quer ser amado. Não porque o amor é a coisa mais maravilhosa do mundo, mas porque ter alguém que te ama prova o seu valor, que você é digno desse sentimento, é a prova cabal de que você é sim essa pessoa incrível que seus amigos dizem que você é.

A ideia do amor é uma pressão social, e meu ego não está imune a isso. Meu ego, inclusive, se sente bastante ferido ao ser rejeitado, por mais que racionalmente eu saiba que é melhor estar sozinha do que mal acompanhada. E quem nunca se questionou, ao ver alguém de caráter duvidoso namorando, "o que el@ tem que eu não tenho?"

Tenho períodos melhores que outros, então tenho em mente uma coisa muita sábia que uma amiga me disse num desses momentos de desespero: "você não gostaria de namorar essas pessoas" (no sentido de que eu não quero namorar qualquer um só por namorar).

Talvez um dia eu supere esse desejo e me satisfaça com um relacionamento mais liberal, com um PA que supra as necessidades básicas e me dê o espaço que eu preciso (que só aumenta com a idade), mas até lá eu vou tentando racionalizar as coisas pra tentar viver com elas.

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demissexual e intj
quarta-feira, 12 de abril de 2017 at 10:30
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Eu sempre interessei por psicologia e hoje em dia não entendo porque não fui estudar isso na faculdade. Além de estudar literalmente atrás do Instituto de Psicologia da USP, o mais perto que cheguei da área foi fazer uma matéria introdutória em psicologia no intercâmbio da faculdade.

Obviamente que meu conhecimento sobre o assunto é limitado, mas acho muito interessante e nunca canso de me surpreender com as leituras que acho por ai.

Acho que existe um fundo de verdade quando se diz que quem estuda psicologia está procurando se entender. Talvez no início não seja tanto, mas a medida que você lê, começa a identificar as coisas na sua vida e se identificar com outras. É libertador!

O livro que mudou a minha vida, O poder dos quietos, me fez descobrir a introversão e a partir daí o teste das 16 personalidades. Além da introversão, existem outras 3 características que explicam muito sobre o comportamento de uma pessoa. Não vou me aprofundar porque não quero falar bobagem, mas você pode fazer um teste aqui que dá um resultado bem explicado.

Eu fiz esse teste algumas vezes e o resultado pode variar de acordo com o momento que você está passando na vida.as da última vez que eu fiz, o meu resultado deu INTJ (A). Em resumo, o "arquiteto" das personalidades é um tipo raro (aproximadamente só 2% da população se acha nessa descrição) e é um tipo ainda mais raro entre as mulheres (menos de 1%) porque é um tipo muito racional, que busca uma resposta objetiva para tudo, e que tenta organizar o mundo a sua volta com muitos planos calculados. E porque o lado racional é muito desenvolvido, o lado emocional é bastante negligenciado. O "arquiteto" tem dificuldade de lidar com elementos que não podem ser previstos e por isso tendem a não se dar bem em relacionamentos, já que pessoas e seus sentimentos são aleatórios e imprevisíveis. E por não entenderem essa imprevisibilidade, tem dificuldade de lidar com os próprios sentimentos e tendem a se fechar. Uma vez conversando com meu melhor amigo ele disse que meu maior problema é que eu era o melhor mecanismo de auto defesa que ele conhecia, um forte impenetrável. Nem tinha o que discutir, eu sabia disso sem nenhuma explicação acadêmica.

Como se eu já não dificultasse minha vida o suficiente, numa news da menina Nambara, descobri sobre a demissexualidade. A grosso modo, é quando a pessoa só consegue sentir atração sexual depois de formar uma conexão emocional (ainda que unilateral) com a outra. Aquele papo de "não consigo transar sem ter um algo a mais" não é uma desculpa! Na news ainda tinha um link para um teste para ver se você é demissexual, e na verdade eu fiz mais pra ver em que lado do espectro da sexualidade eu caia do que pra saber se eu me identificava mesmo com isso. Na comparação eu na verdade nem achava que fosse muito demissexual, mas para minha surpresa meu resultado deu muito próximo do da minha amiga.

Sobre a demissexualidade ainda estou em dúvidas, mas que certamente o sexo é infinitamente melhor quando eu tô curtindo o cara, isso é verdade. E minhas amigas sabem o quão chata eu sou pra achar um cara bonito, e ainda assim a maioria eu só acho bonito mesmo, não rola a maior vontade de dar pra qualquer um. Como eu falei lá pra cima, tenho uma dificuldade em confiar nas pessoas, o que me faz recear qualquer um desconhecido e por isso eu não consigo ficar pensando que eu simplesmente confiaria minha vida assim a qualquer um (verdade que ai também tem uma pitada enorme de cultura de estupro e machismo que eu temo mais que a morte), até porque eu sei que pode chegar na hora de conhecer a pessoa e o santo simplesmente não bater! Não importa se a pessoa é bonita ou não.

Talvez eu precise de uma terapia, ou só precise encontrar alguém muito compreensível, se eu quiser namorar. Inclusive, tema pra um próximo post, hehe

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vênus retrógrada
terça-feira, 11 de abril de 2017 at 10:30
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Eu tento ser uma pessoa cética na medida do que é possível num país como o Brasil. São muitas influências, eu já fui atendimento "socialmente católica", pra se ter ideia...

Talvez pôr influência do meu pai, que embora nunca tenha discutido astrologia em casa, sempre comprava uma revistinha de previsões todo começo de ano, eu sempre me interessei pelo assunto. Claro que não sou uma expert, mas sei bastante do meu signo (libra) e sei qual meu ascendente (câncer). Me identifico bastante (mas também me identifico com meu Meyers Briggs - INTJ) e, como não faz mal, leio meu horóscopo todo mês na Susan Miller. 5 minutos depois já esqueci metade, mas é interessante no mínimo.

Eis que o ano começou e eu lá no Tinder, sem muitas esperanças, dando uns likes aleatórios (uma hora falo sobre a total falta de critério que é minha lista de matches) quando finalmente rolou um convite pra date.

Assim, eu odeio conhecer pessoas novas, mas como não tá rolando nada com as que eu já conheço, o único jeito de encontrar um namorado é esse. E a minha guru astrológica tinha ótimas previsões pro mês de fevereiro! Então tava até mais confiante pra essa coisa de sair com gente nova.

Não tenho do que reclamar de fevereiro não, foi bem divertido. Mas ai vem Susinha e no fim do Carnaval joga a bomba sobre Vênus, meu regente e planeta do amod, começar a andar pra trás. Isso quer dizer DIFICULDADES NO AMOR! Como se essa parada já não estivesse difícil o suficiente!

Olha, sei que relacionamentos são muito mais complexos do que a influência celestial (do céu, não de deus), mas que casou direitinho com esses movimentos astrais, casou sim.

Eu sou uma pessoa cheia dos pobreminha emocional quanto a confiança e tals, bem traumatizada ainda da última decepção amorosa (já faz uns anos, mas a memória tá ai pra nos foder), então eu ainda tava na duvidinha se o cara ia ser o the one, se eu achava que não gostava dele o tanto que eu achava que deveria porque eu tava travada ou se não era mesmo tudo isso quando ele começou a ficar estranho do nada e sem explicação, e eu acabei dando de ombros pra essa história, porque tô numa fase da vida em que eu simplesmente não quero me estressar com os outros.

A gente parou de se falar (ou ele sumiu sem nem dar tchau), mas eu deixei o contatinho lá. Só que acabei de perceber que ele me bloqueou do whatsapp e do Tinder. Percebam: ele não se deu ao trabalho de simplesmente me apagar do celular dele - ele me BLOQUEOU. Achei meio dramático pra alguém que simplesmente sumiu sem explicação e que eu não procuro há quase 1 mês - nem é como se eu estivesse enchendo o saco ou tivesse corrido atrás pra justificar não querer ser incomodado.

No final, só o ego saiu um pouco arranhado, mas o que acabou motivando esse post foi que achei essa foto, que vou legendar com a história:

Fomos num bar logo que começamos a sair e recebemos essa ficha de espera. Ele esqueceu de devolver e achou na carteira uns dias depois e me mandou a foto, até brincamos que tinhamos que ir lá devolver. Achei fofo, mas tinha atendimento esquecido disso. Até resolver mexer na pasta dessa conversa depois do block sumário e sem explicação. Agora me diz se não é pra ficar com a maior cara de "ué?" quando os caras desaparecem? Talvez eu tenha me livrado de um problema, mas não deixa de ser no mínimo intrigante.

Vênus tá dando ré até a Páscoa, então tô bem broxada de conhecer qualquer um, e ela só volta a funcionar direito mesmo em maio. Mas tamo ai dando like (ou não) e mandando vários gifs do Joey e da Adele, porque é o que nos resta.

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o que ficou sobre o ano sabático, o voluntariado e a primeira vez na europa
segunda-feira, 10 de abril de 2017 at 10:30
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Apesar de ter um blog que começou pra contar sobre as minhas peripécias na terra do nosso querido príncipe George, sinto que falta falar de uma forma resumida pra quem procura informações sobre isso mas de uma forma resumida e uma visão um pouco distanciada do que foi toda essa experiência.

VOLUNTARIADO EM CAMP HILL


Quando resolvi me jogar nessa ideia, não sabia nada sobre camp hill. Li um pouco sobre nas páginas oficiais, mas não achei nenhum relato pra me preparar para o que viria.

Eu já queria fazer voluntariado, mas sabia que tinha que achar a oportunidade certa pra não me traumatizar e não voltar correndo no primeiro voo de volta.

Para isso foi importantíssimo ter a companhia do Henrique T. por lá, passando exatamente pelo o que eu estava passando.


Eu acho que dei muita sorte em vários aspectos. O camp hill escolhido tem um regime de trabalho bem certinho, são 40h por semana, com pelo menos 2 folgas fixas, o que é uma raridade para camp hill de uma forma geral.

Também dei sorte que na minha casa de trabalho eu tinha a melhor coordenadora do campus, e o apoio de outro brasileiro super veterano de causa. Eu tinha muito apoio pra tudo, como voluntária, e nenhum dos meus direitos foram jamais postos em risco (como eu ouvi dizer que pode acontecer).

O trabalho em si, a primeira vista, pode assustar. Eu trabalhava com alunos mais velhos, entre 19 e 23 anos, somente meninos. Eu tinha que ajudar eles a fazerem o básico como escovar os dentes, comer usando os talheres direito, fazer tarefas dentro da casa e até dar banho. E eles são homens jovens, então rolava até supervisionar uns momentos mais ~íntimos (mas com todo o respeito).

Eu também tinha que dar suporte ~acadêmico, durante as aulas, que eu achei que seria o trabalho mais legal, mas no fim, como o currículo é "24h", eu descobri que na aula mesmo eles tinham um suporte para aprender a lidar com a vida em geral, e que era fora da sala de aula que a gente fazia mais coisas e aprendia a se portar no mundo real, o que foi uma grande descoberta pra mim, porque eu não imaginava que poderia ter tanta satisfação nessa parte do trabalho.


Satisfação e sentimento de dever cumprido para com o mundo era o que eu procurava nesse voluntariado e foi exatamente o que eu achei. É incrível como você se envolve com os alunos e com a educação de outros seres humanos que dependem da boa vontade alheia para "funcionarem corretamente" no nosso mundo e cada conquista traz uma felicidade verdadeira!

Algumas pessoas questionaram fazer um voluntariado numa parte tão rica do mundo, mas acho que você tem que escolher suas batalhas. Uma amiga minha uma vez fez um voluntariado no Camboja, mas não conseguiu terminar, a pobreza era extrema, e passou até por uma situação de furto dentro de casa. A situação acabou sendo extrema demais e ela resolveu voltar muito antes do previsto. Eu tinha medo de isso acontecer e eu ficar frustrada, então escolhi algo que parecia um pouco mais seguro e foi o que deu certo. Sinto saudades de todos, do trabalho aos alunos, e principalmente do sentimento de completitude que o voluntariado trazia no dia a dia.


Sobre a moradia, infelizmente o camp hill não tem estrutura para agrupar todos os voluntários em uma casa só, o que eu acho que acaba sendo negativo na experiência da vivência porque afasta as pessoas. O meu grupo era bom e sempre saia junto, ou pelo menos se comunicava, mas ai vai depender muito das pessoas. As casas em si são ok, algumas são mais velhas que as outras, mas todas tem estrutura completa, com cozinha e lavanderia, além de banheiro coletivo para os voluntários. O nosso era grande, mas não era limpo sempre (porque depois de um tempo eu e o Henrique cansamos de ser os únicos que limpavam e paramos de limpar e ai os outros se tocaram que tinham que ajudar, mas só limpavam de vez em quando e a gente também) e ai vai depender das pessoas.

O uso da cozinha é o que eu achava mais complicado, porque morávamos em casa que tinha aluno e a gente só podia usar quando a cozinheira não estivesse usando. A gente tinha acesso irrestrito à dispensa, então no fim eu preferia comer na casa onde eu trabalhava, porque me sentia mais parte da casa, gostava mais das comidas disponíveis (cada casa tinha seu cardápio) e a cozinha era bem mais moderna. O que também tinha lá suas desvantagens, porque apesar de ser perto, eu tinha que sair de casa, na Inglaterra é sempre frio, chove muito e as vezes você tá com preguiça de ter que interagir com os coleguinhas...

O camp hill em si, por se tratar de uma comunidade, ou seja, um campus do tamanho de um sítio grande, não fica dentro da cidade. A gente não tinha acesso aos automóveis do campus e tinha que andar ou pegar ônibus, mas a condução lá também não é barata. Nos restava ir andando até a cidade quando necessário, uma caminhada de meia hora, pela rodovia ou por um bosque. A Inglaterra é um lugar bem seguro e eu nunca vi nada suspeito, e sempre via famílias pelo caminho. O chato é que a pé não dava pra fazer grandes compras e estávamos restritos a fazer as coisas perto de casa. Pra nossa sorte, na mesma época haviam outros brasileiros em outro camp hill perto que tinham acesso aos veículos da comunidade deles, então as vezes a gente combinava de sair junto (quando as folgas calhavam) e até ir pra balada.


A "desvantagem" de trabalhar em escola é um calendário mais rígido, pois tínhamos que obedecer ao calendário escolar e porque em geral são pessoas com comportamentos mais desafiadores do que os de comunidades de adultos. Mas tínhamos as vantagens das férias escolares, que aconteciam por pelo menos 10 dias a cada 2 meses, e éramos remunerados mesmo sem trabalhar (hoje em dia eles mudaram um pouco e os voluntários tem que trabalhar em algumas férias) - e ainda ganhávamos voucher do super mercado para fazer compras de comidas já que nossas casas ficavam sem comida.

O caminho das pedras

Eu me inscrevi super tarde para o voluntariado no camp hill que escolhi, mas as inscrições começam em novembro pro ano letivo que começa em setembro do ano seguinte. Para se inscrever é preciso preencher um formulário em inglês e enviar pro e-mail, tudo nessa página.

Como disse, me inscrevi super tarde, então não custa nada tentar mandar um e-mail mesmo agora, quando eles dizem que já estão fazendo a seleção.

Para participar, não precisa de muito: ser maior de idade, ter uma ficha de antecedentes criminais limpa (eles pedem aquela que dá pra tirar online - acho que é a estadual) e ter vontade de tentar se comunicar em inglês - ou seja, fluência não é requisito!

Uma vez selecionado, eles marcam uma entrevista por Skype, com o RH e os responsáveis pelo "care". É uma entrevista descontraída, em que eles querem saber se você tem mesmo vontade de ajudar o próximo e está preparado para uma vida de trabalho intensa (no sentido de que toda a hora no trabalho pode ser muito trabalho, não de que são muitas horas, até porque são só 40h semanais e não existe hora extra para voluntários). Não é preciso ter nenhuma experiência prévia, mas sim muita boa vontade e uma mente aberta para ajudar pessoas com necessidades especiais.

Se você passar na entrevista, eles ainda vão pedir 2 referências. Eles pedem o contato e também pedem para eles preencherem uma ficha. Na verdade acho que eles nunca ligaram pras minhas, mas é bom avisar quem você vai dar de referência pra ficarem avisados.

Depois eles mandam uma carta de aceitação e um documento para levar ao consulado.

Para solicitar o visto* de voluntariado, é preciso criar um login na página da imigração e preencher uns formulários, além de pagar as taxas de processamento de visto - e agendar um dia para levar os documentos no centro de visto - e a taxa do serviço nacional de saúde. Ao todo, só com essas taxas eu gastei quase R$ 2.000 (pagos no cartão pelo próprio site).

O visto é processado pelo consulado em Bogotá, então aqui no Brasil o solicitante vai entregar os formulários impressos, a carta do empregador e o passaporte e cadastrar a biometria. Após todos os documentos estarem em ordem, eles cadastram o seu e-mail e é por lá que eles avisam todos os passos tomados, desde quando o passaporte chega em Bogotá até o retorno. É possível pedir a entrega via sedex ou então ir buscar no centro de visto (eu preferi ir lá buscar). O meu processo levou umas 3 semanas, que é o tempo estimado que o site me dava na época mesmo.

Com o visto em mãos, eu marquei a passagem de ida e volta com validade de 1 ano. É importante saber se a passagem que está comprando tem esta validade mesmo, pois essas passagens promocionais que vemos por ai em geral são as de curta duração, de até 3 meses. A passagem de 1 ano tem que ter a volta remarcada pois pelas normas de aviação não é possível marcar o retorno com mais de 300 dias de antecedência da emissão. E as companhias aéreas cobram por essa remarcação. Um bom agente vai então marcar o retorno com a data com a melhor tarifa, porque você já vai ter esse gasto (é bom perguntar pro seu agente qual é a taxa cobrada pra cada companhia).

Na época a melhor tarifa era a Air Europa, que é uma baixo custo espanhola que tem voos intercontinentais. Mas eu não a recomendo pois os equipamentos são antigos e simples, e o serviço é péssimo. No voo de ida houve um atraso de 3 horas em que fomos praticamente mantidos em cativeiro dentro da aeronave sem nenhuma explicação e até sem água (só deram água quando os passageiros reclamaram). Com isso perdi minha conexão em Madri, para Londres, e quando cheguei não tinha uma pessoa pra me explicar o que eu deveria fazer. Depois de passar pela imigração também não tinha uma pessoa com a informação correta sobre as malas (que deveriam ser despachadas direto para o destino final) e eu embarquei sem saber se eu as veria em Londres. E no voo de volta a mulher do check in em Gatwick foi super grossa e burra e eu tive que ficar explicando como ela deveria fazer o trabalho dela, porque ela não podia nem prestar atenção no anuncio nas suas costas de que eu podia levar mala de mão de até 10kgs... Enfim, não usem Air Europa, é uma bosta.

VIVER NA EUROPA


Vou confessar que eu não sabia nada de Europa antes de ir, mas achava que sabia. Simplesmente porque conheço bem a América e achava que seria bem parecido.


Mas não é!

E isso não é necessariamente ruim. Verdade que a primeira impressão não foi boa, pois chegamos 1 semana antes das aulas começarem, para termos treinamentos, e as casas estavam todas um caos. Sujas, desorganizadas, abandonadas (pois eles não tem alojamento durante o verão, então não fica ninguém lá por pelo menos 1 mês).

Mas isso foi o superficial. Eu entendi como eu era super americanizada antes de viajar pra Europa mas nunca tinha percebido. Na América tudo é novo e asséptico, temos uma mania de limpeza, principalmente no Brasil (por sermos um país tropical a higiene é primordial para evitar doenças "naturais), enquanto que na Europa não existe tanta preocupação com o novo, e sim uma preocupação maior com a função das coisas e evitar o desperdício (aquela coisa de consciência da quantidade porque em uma época houve pouca oferta dos itens mais básicos, etc etc).


Mas o que mais me impactou foi como a Europa é assistencialista, e como eles não veem isso como algo que ameace o capitalismo ou a democracia deles. Eles acham natural que o governo dê apoio não só na saúde e na educação, mas também assistam famílias com pessoas com deficiência, não importando a classe social. Todo mundo tem direito a assistência para tratar das necessidades especiais, por exemplo. As famílias recebem subsídio para colocarem seus filhos em escolas especiais, para fazer tratamentos e tem apoio de uma assistente social periodicamente.

Também me surpreendeu como a Europa é diversa em etnias. Claro que o Brasil também é, mas sempre ouvi sobre a xenofobia, então não imaginava que realmente o mundo estivesse ali. Mas não só isso, as pessoas se mudam de mala e cuia pra Europa e se tornam europeias mesmo!

Acho que todo mundo deveria ter essa experiência de ir para um lugar onde o governo consegue cuidar da população pra entender a importância de dar assistência aos mais necessitados. Isso não é comunismo, isso é dar oportunidades a todos!


Ah, com isso também entendi como a Europa é um lugar com uma discrepância sócio-econômica muito menor que a nossa e como isso impacta a vida de todo mundo, gerando muito menos violência. Ok que tem terrorismo, mas o terrorismo tem origem política. Na rua existe uma sensação de segurança que é muito maior do que nos Estados Unidos, porque existe esse sentimento de que todo mundo está no mesmo barco e que todo mundo pode ascender pelo próprio esforço, que existe um amparo muito maior do Estado às pessoas mais vulneráveis.

Claro que existe um apelo ao consumo, pois a Europa é parte do capitalismo, mas é muito menos agressivo do que em outras partes do mundo, como no Japão. Faz parte do cotidiano do europeu o acesso a cultura e a história, e o consumo é só um acessório da vida deles. As coisas não são baratas, então eles tem que pensar no que investir e fazer compras enlouquecidamente não é uma prioridade.

TIRAR UM ANO SABÁTICO


Meu ano acabou sendo multiplicado, porque ele também começou antes do que eu planejava. Para que isso fosse possível, houve planejamento, economia e suporte da minha família. O ano sabático só pode ser uma realidade se você se organizar para tal e não é uma opção para todos, eu sei disso. Tenho muita sorte de contar com uma rede de apoio que me proporciona realizar meus sonhos, por mais modestos que sejam (em relação a esses anos sabáticos de viagem, curtição e gastação que se vê por ai). Mas acho que dentro do meu círculo social ele é sim possível, se a gente parar de se sabotar.

Eu estava infeliz com muitas coisas e a procura de um sentido para a vida, um propósito. Nesse quesito, fazer o voluntariado caiu como uma luva pra me ajudar a me re-centrar.

Eu também precisava de um tempo longe dessa vida de compromisso social. Não de ter que encontrar meus amigos, mas essa obrigação de ter uma carreira, de ter que marcar presença nos eventos da cidade, de ter uma agenda. Ir pra um lugar onde eu estava longe de tudo isso, onde nada acontecia, onde eu não tinha obrigação com ninguém, as vezes parecia desesperador, mas é o que eu precisava pra resetar essa "programação" vida. Eu gosto muito de morar em SP, mas as vezes a vida pode ser enlouquecedora, e me afastar foi importante pra entender o que era realmente importante.

E no fim, ganhar um sobrinho que não estava no planejamento, foi uma surpresa maravilhosa que valeu a pena ter que largar o voluntariado mais cedo e ficar em casa. Acho que no fim eu soube administrar os acontecimentos de uma forma tranquila porque tive tempo de repensar a vida e reavaliar as prioridades.

Mesmo que não haja dinheiro para grandes viagens, um período sabático faz bem pra todo mundo que se encontra nessa loucura de casa-trabalho-boleto pra pagar. Porque eu vejo muita gente insatisfeita com a vida, que tem muito mais momentos desagradáveis do que de prazer e a vida não é isso, a vida é pra ser vivida da melhor forma já que a gente só tem essa chance de ser feliz ;)


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#beda: domingando
domingo, 9 de abril de 2017 at 13:00
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Porque domingo é aquele dia relax, preguiçoso, em que a gente não quer pensar muito não. E, honrando minha carteirinha de geração High Fidelity, vai aqui uma lista. Uma lista de músicas que andei curtindo no último ano. Me importo que ela soe velha? De jeito maneira!

1. Closer - The Chainsmokers feat. Halsey
Porque o clipe é sexy, a música é super chiclete e a letra, bem... Acho que todo mundo se identifica com ela uma hora ou outra, né? Porque a gente vive a vida, mas as vezes ela volta com tudo na nossa cara pra nos fazer reavaliar as nossas escolhas.




2. We don't talk anymore - Charlie Puth feat. Selena Gomes
Sempre que o clipe passa na tv minha mãe pergunta se a menina que aparece é a Selena Gomes. SEMPRE! Agora, como ela sequer sabe que essa música é com a Selena, eu não sei. Gosto do clipe que mostra o que acontece com cada um dos personagens, fazendo um paralelo. É meio triste, eu sei, mas é muito real.




3. Love yourself - Justin Bieber
A música é quase fofa. Se você mudar o "love" por "fuck" consegue entender o real sentido da música, mas vamos ser fofos e continuar com "love" e curtir essa coreografia do casal do clipe que é melhor. Não tem como não gostar desse cd dele, "Purpose". Tem inteiro no Youtube ;)




4. Chantaje - Shakira feat. Maluma
Maluma caiu nas graças latinas, né? A música com a Anita não é ruim, e essa com a Shakira é ótima, nesse clipe ela volta toda sexy e poderosa (já li que ela não fazia mais clipes com homens por causa do ciumes do marido) e cantando em sua língua materna, o que é sempre bom de ouvir!




5. Can't stop the feeling - Justin Timberlake
Amei essa música no momento que ouvi pela primeira vez, amei a apresentação no Oscar e não me conformo que ela não foi a música do verão americano, porque ela é um baita hit! É muito feliz e divertida, feita pra balançar os pesinhos e cantar junto, batendo palminha ^.^




6. Starving - Hailee Steinfield, Grey feat. Zedd
Eu confesso que não vou muito com a cara da Hailee por causa do papel dela em "Pitch Perfect 2", mas essa música é bem gostosinha, não tem como resistir.




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about the girl

Pode me chamar de Vy. Balzaquiana com cara de universitária. Turismóloga de formação. Rodinha não só nos pés, mas no coração também. Introvertida. Blogueira old school.

good reads

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