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#beda: turismóloga ou turista?
terça-feira, 9 de agosto de 2016 at 10:30
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Confesso que depois da explosão do blog como meio de ganhar dinheiro, deixei de acompanhar tantos. Eu sempre curti blog diarinho. Sinto saudades da época da faculdade em que eu tinha um tempão pra ficar filosofando sobre as coisas...

Mas em todo o tempo, eu nunca achei blog de outros turismólogos. Mas não blog de viagem (que isso tem de monte) e sim blog da vida da pessoa que por acaso seja turismóloga. As vezes eu me sinto meio sozinha porque quase todo mundo nessa blogosfera tem a ver com comunicação e artes, e a minha única ligação com essa patota é que o meu curso na USP era na ECA (Escola de Comunicação e Artes).

Porém, eu sempre curti comunicação. Como contei, achava incrível poder conversar com gente do mundo todo quando a internet chegou em casa. E acho ótimo que tenhamos acesso a tanta informação, de uma maneira tão facilitada.

Na escola eu oscilei muito entre árias áreas da humanas (nasci pra miçangar, haha). Quando aprendi a ler, queria ser professora. Achava demais aquelas mulheres comandando as salas cheias de crianças, com o conhecimento soberano! Óbio que também rolou a fase "quero fazer o que o meu pai faz" ou "oque o pai da amiga rica faz", mas sempre acabava voltando pra humanas.

Por um tempo, fiquei entre administração, letras e jornalismo. Administração era a opção segura, mas eu já tinha o pézinho na hospitalidade. Queria ter o meu hotel ou o meu restaurante. #gordasafada desde sempre, né? Hahaha! Mas sempre gostei de ler, então achava que ia curtir letras. Ai vinha aquele medo de não ganhar dinheiro nenhum sendo escritora, então eu balançava pro jornalismo.

O turismo e a hotelaria entraram na minha vida na época em que abriram o hotel escola em CAmpos do Jordão. Devido a proximidade, era uma sensação na cidade. O que eu queria mesmo era ter ido estudar lá na época da escola (em que o técnico ainda contaa como ensino médio), mas eu não tinha a grana. Então, no colegial decidi que ia prestar vestibular pra Turismo e Hotelaria, e não mudei de idéia pelos 3 anos e o cursinho todo. Era uma das poucas pessoas que sabia com certeza o que ia fazer na faculdade.

Na época o curso era super concorrido, Turismo era o curso da moda, mas havia pouca oferta de cursos. Hotelaria então, só curso pago.

Entrei no ensino médio com gas pra estudar o máximo pra tentar passar direto. Mas isso era ingenuidade, logo vi que precisaria muito mais do que vontade pra passar direto e meio que levei o último ano da escola nas coxas. Só não foi pior porque o último ano já era dividido entre humanas, exatas e biológicas e a minha sala era a mais fácil, haha! Não aprendi geometria direito nem com a boa vontade do professor do cursinho...

Mas foi o cursinho que eu descobri o curso de turismo na UEPG - Universidade Estadual de Ponta Grossa e fui tentar. Nunca tinha ouvido falar nem da cidade, quanto menos de como era a prova. Na véspera é que descobri que a redação costumava ter uns temas bem estranhos, tipo o que você faria se estivesse no último dia de existência de peixes no mundo! Era vestibular do meio do ano, fazia um frio que eu nunca tinha sentido, e ainda assim, fazendo um dia de prova com dor de cabeça, passei. Inclusive nem sabia que o resultado tinha saído, recebi um parabéns aleatório via ICQ e fui checar o site da faculdade pra ver se era verdade. Lembro até que meu pai estava no banho quando recebi a resposta, haha! Pensa numa família feliz! E uma pessoa aliviada. Porque o ano de cursinho não é fácil, você duvida de si mesma, não sabe o que ai acontecer no ano seguinte (pra quem vem da escola particular e de um mundo estável, é a maior desestabilização psicológica!).

Confesso que larguei mão de estudar e o segundo semestre do cursinho foi meio largado. Eu já não assistia aula de inglês (a  única que assisti foi porque me enganei com os horários e o professor perguntou o que eu fazia ali se eu gabaritei o exercício que ele deu antes de ele conseguir passar todas as dicas na lousa) e só via as de redação durante a semana (no fim de semana eu matava aula pra ver Dawson's Creek na Globo, hahaha), mas foi depois do resultado que nem estudar a tarde eu estudava direito (ia pro reforço da tarde mas dormia na sala de estudo depois das aulas, haha).

O esforço que eu fiz foi pra tentar passar na UFPR, em Curitiba, muito porque era uma cidade maior e a alma matter do meu pai (minha mãe fez uma faculdade que foi incorporada pela PUC, fazer faculdade particular fora da cidade estava fora dos planos) do que por qualquer outra coisa. Foi meio decepcionante não passar porque eu sei que no fim eu só não pontuei porque minhas redações não foram boas o suficiente (a prova tinha umas 4 mini redações que eu tinha feito com o pé nas costas no ano anterior). Com isso eu nem sonhava em entrar na USP. Tanto é que quando saiu o resultado, já estava resolvida a mudar.

A matrícula foi na mesma época do que a da USP, fui com minha mãe pra Ponta Grossa, levando parte das coisas que ficariam na pensão e meu pai, que tinha cancer, ficou em casa.

Nunca vou esquecer a cara dele quando chegamos 2 dias depois, de manhã cedo, tomando café na ponta da mesa. Parecia criança em noite de natal. O telegrama com o resultado e a classificação geral na Fuvest tinha chegado quando estavamos fora e claro que ele abriu, de curioso, e viu que eu era a segunda na lista de chamada (se alguém desistisse de alguma vaga até o começo das aulas). Acho que ninguém acreditou mais que eu ia entrar do que ele. Nem eu acreditava que seria possível, na época era super difícil abrir vaga porque era o curso mais concorrido da Fuvest e o único público no estado.

Não foi fácil não. Abriu 1 vaga, passei o dia na USP rezando pra primeira colocada não aparecer e ela e o pai chegaram meia hora antes do prazo. Pensa no quanto fiquei PUTA de passar o dia lá pra nada! Mas no dia seguinte recebi o telefonema que mudou a minha vida. Eu tava saindo de casa no fim do dia e só atendi o telefone porque ainda não tinha trancado a porta. Era a desistência de outra pessoa!!! Só não aparatei na Seção de Alunos porque minha carta de Hogwarts nunca chegou, mas no dia seguinte eu tava lá pra matrícula na hora que aquilo abriu!

Morar em São Paulo sempre foi um sonho. Sempre odiei morar em cidade pequena onde todo mundo toma conta do rabo do vizinho e tem mentalidade classe média sofre. Eu queria mora num lugar onde eu fosse só mais uma, mas uma que tivesse oportunidade de fazer aquilo que bem entendesse!

Sempre achei estranho Turismo estar na ECA, mas hoje em dia não me vejo tendo estudado em nenhuma outra unidade da USP. Foi um pequeno choque, mas que me ajudou a sair da zona de conforto, da caixinha em que me colocaram. E eu não trocaria os amigos que fiz lá por nada nesse mundo!

Levei 7 anos e meio pra me formar, entre viagens e trancamentos, mas eu não me arrependo de nenhum passo dado nessa época. Minha sala era pequena, só 30 alunos, e a gente conseguiu "quebrar" logo no início, mas tenho alguns dos melhores amigos de lá. Fora os outros anos, que tinham pessoas incríveis que acabaram se tornando parte da minha turma também.

Depois da experiência no mercado de trabalho, se eu tivesse que voltar no tempo, teria feito jornalismo. Na minha época não existia rede social na internet, no fim dos 4 anos regulamentares da faculdade nem era todo mundo que tinha celular! Mas é algo que eu gostaria de ter tentado também. As vezes rola vontade de voltar pros estudos e eu escolheria fazer psicologia (adoro coisas da mente!), mas se eu ganhasse na loteria eu viraria é turista. Porque com todo esse conhecimento eu ia é querer aproveitar esse mundão, haha!

Este post faz parte do BEDA - blog everyday august. Se quiser conhecer mais gente que está  se aventurando nesta loucura ou precisar de um grupo de apoio pra continuar firme e forte na ~blogueragi~ clica no banner!

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Pode me chamar de Vy. Balzaquiana com cara de universitária. Turismóloga de formação. Rodinha não só nos pés, mas no coração também. Introvertida. Blogueira old school.

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