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vida de introvertida
quinta-feira, 17 de agosto de 2017 at 10:30
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Na minha vida inteira eu fui a criança mais quieta. Por um tempo eu tive sim muita timidez, mas depois de um tempo passou e foram muitos anos até eu descobrir o que era a introversão. Passei uma vida sendo julgada por algo que sequer é ruim, só é um pouco diferente.

Meu pai era um dos meus maiores críticos, apesar de ser tão introvertido quanto eu. Acho que ele não aceitava muito bem que tinha passado pra filha algo que ele não gostava muito em si mesmo. Minha mãe sempre disse que eu fui pra escolinha cedo (pra época e pra nossa situação 3 anos era bem cedo) porque eu "tinha que interagir com outras crianças" e era "um bicho do mato". Meu pai não viveu pra descobrir o que era introversão, e que isso não era ruim, mas minha mãe inclusive foi na livraria comigo e comprou o livro que desvendou tudo isso pra mim, "O poder dos quietos".

Mas minha mãe nunca aceitou ou compreendeu muito bem o que é a introversão. Pra ela as vezes é só uma forma de eu justificar ser anti social. Ela não entende que não é preguiça, é falta de forças.

Pra quem não sabe, introversão não é só uma "preferência" por uma vida mais tranquila e menos cheia de gente. A introversão tem a ver com a sensibilidade a estímulos externos e a energia gasta com atividades como socializar. Introvertidos são hiper sensíveis e se cansam de ter que dar atenção para tanta coisa ao mesmo tempo. A gente não escolhe ser assim, a gente simplesmente é. Então, pra mim, todo ida ter que interagir com pelo menos umas 15 pessoas diferentes, os meus colegas de trabalho, todo dia, é bastante cansativo por si só. Adicione a essa conta o relacionamento, mesmo que por e-mail, que eu tenho que ter com fornecedores do mundo inteiro. E todas as mensagens, ainda que divertidas, dos meus amigos e familiares pelos mensageiros instantâneos.

Eu ainda acho que sou uma introvertida com uma alta tolerância para interações sociais, porque tenho bastante amigos, consigo manter um relacionamento bom com meus colegas de trabalho e saio bastante em SP. Mas quando volto pra roça, é meu momento de descanso. Quero ter o menor esforço possível pra viver. Interagir com minha família nuclear é o máximo que tolero e se for ter mais do que isso, quero um aviso prévio para poder me preparar psicologicamente a essa maratona social. Claro que imprevistos acontecem, mas gostaria que minha mãe entendesse melhor quando eu digo que não quero participar de alguma coisa, principalmente quando eu digo que estou de mau humor só de pensar na ideia proposta. Não é má vontade, mas eu posso ser sincera com ela e digo que não vou ser uma boa companhia, e muitas vezes ela acha que é só má vontade minha.

Pra quem tem um amigo ou um familiar introvertido, por favor, entenda: se o introvertido está declinando o convite com educação, não insista. É a partir dai que começa a tortura para nós. Na verdade, negar algo para quem gostamos não é uma tarefa fácil e a maioria só o faz em último caso, sofrendo o suficiente internamente, e não precisamos ter nossa vida dificultada ainda mais com a insistência pra que mudemos de ideia. Vocês só nos forçarão a pensar em como fazer a nossa vontade ser respeitada, o que gera ainda mais ansiedade, e nos frustra, porque não queremos gerar inconvenientes mas não queremos ter inconvenientes também. Se a gente se nega a participar de algo, acredite, a gente sabe que não vai aproveitar a oportunidade, por melhor que pareça.

Eu tenho minhas maneiras de aproveitar meu tempo com as pessoas, e quando eu não estou de bom humor, eu prefiro simplesmente não me forçar a interagir. Prefiro que o momento seja bem aproveitado, por mais breve que pareça, do que forçar algo que no fim não vai gerar uma memória significante.

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that would be me. bye!

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Pode me chamar de Vy. Balzaquiana com cara de universitária. Turismóloga de formação. Rodinha não só nos pés, mas no coração também. Introvertida. Blogueira old school.

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