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segunda-feira, 10 de abril de 2017 at 10:30
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o que ficou sobre o ano sabático, o voluntariado e a primeira vez na europa
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Apesar de ter um blog que começou pra contar sobre as minhas peripécias na terra do nosso querido príncipe George, sinto que falta falar de uma forma resumida pra quem procura informações sobre isso mas de uma forma resumida e uma visão um pouco distanciada do que foi toda essa experiência.
VOLUNTARIADO EM CAMP HILL
Quando resolvi me jogar nessa ideia, não sabia nada sobre camp hill. Li um pouco sobre nas páginas oficiais, mas não achei nenhum relato pra me preparar para o que viria.
Eu já queria fazer voluntariado, mas sabia que tinha que achar a oportunidade certa pra não me traumatizar e não voltar correndo no primeiro voo de volta.
Para isso foi importantíssimo ter a companhia do Henrique T. por lá, passando exatamente pelo o que eu estava passando.
Eu acho que dei muita sorte em vários aspectos. O camp hill escolhido tem um regime de trabalho bem certinho, são 40h por semana, com pelo menos 2 folgas fixas, o que é uma raridade para camp hill de uma forma geral.
Também dei sorte que na minha casa de trabalho eu tinha a melhor coordenadora do campus, e o apoio de outro brasileiro super veterano de causa. Eu tinha muito apoio pra tudo, como voluntária, e nenhum dos meus direitos foram jamais postos em risco (como eu ouvi dizer que pode acontecer).
O trabalho em si, a primeira vista, pode assustar. Eu trabalhava com alunos mais velhos, entre 19 e 23 anos, somente meninos. Eu tinha que ajudar eles a fazerem o básico como escovar os dentes, comer usando os talheres direito, fazer tarefas dentro da casa e até dar banho. E eles são homens jovens, então rolava até supervisionar uns momentos mais ~íntimos (mas com todo o respeito).
Eu também tinha que dar suporte ~acadêmico, durante as aulas, que eu achei que seria o trabalho mais legal, mas no fim, como o currículo é "24h", eu descobri que na aula mesmo eles tinham um suporte para aprender a lidar com a vida em geral, e que era fora da sala de aula que a gente fazia mais coisas e aprendia a se portar no mundo real, o que foi uma grande descoberta pra mim, porque eu não imaginava que poderia ter tanta satisfação nessa parte do trabalho.
Satisfação e sentimento de dever cumprido para com o mundo era o que eu procurava nesse voluntariado e foi exatamente o que eu achei. É incrível como você se envolve com os alunos e com a educação de outros seres humanos que dependem da boa vontade alheia para "funcionarem corretamente" no nosso mundo e cada conquista traz uma felicidade verdadeira!
Algumas pessoas questionaram fazer um voluntariado numa parte tão rica do mundo, mas acho que você tem que escolher suas batalhas. Uma amiga minha uma vez fez um voluntariado no Camboja, mas não conseguiu terminar, a pobreza era extrema, e passou até por uma situação de furto dentro de casa. A situação acabou sendo extrema demais e ela resolveu voltar muito antes do previsto. Eu tinha medo de isso acontecer e eu ficar frustrada, então escolhi algo que parecia um pouco mais seguro e foi o que deu certo. Sinto saudades de todos, do trabalho aos alunos, e principalmente do sentimento de completitude que o voluntariado trazia no dia a dia.
Sobre a moradia, infelizmente o camp hill não tem estrutura para agrupar todos os voluntários em uma casa só, o que eu acho que acaba sendo negativo na experiência da vivência porque afasta as pessoas. O meu grupo era bom e sempre saia junto, ou pelo menos se comunicava, mas ai vai depender muito das pessoas. As casas em si são ok, algumas são mais velhas que as outras, mas todas tem estrutura completa, com cozinha e lavanderia, além de banheiro coletivo para os voluntários. O nosso era grande, mas não era limpo sempre (porque depois de um tempo eu e o Henrique cansamos de ser os únicos que limpavam e paramos de limpar e ai os outros se tocaram que tinham que ajudar, mas só limpavam de vez em quando e a gente também) e ai vai depender das pessoas.
O uso da cozinha é o que eu achava mais complicado, porque morávamos em casa que tinha aluno e a gente só podia usar quando a cozinheira não estivesse usando. A gente tinha acesso irrestrito à dispensa, então no fim eu preferia comer na casa onde eu trabalhava, porque me sentia mais parte da casa, gostava mais das comidas disponíveis (cada casa tinha seu cardápio) e a cozinha era bem mais moderna. O que também tinha lá suas desvantagens, porque apesar de ser perto, eu tinha que sair de casa, na Inglaterra é sempre frio, chove muito e as vezes você tá com preguiça de ter que interagir com os coleguinhas...
O camp hill em si, por se tratar de uma comunidade, ou seja, um campus do tamanho de um sítio grande, não fica dentro da cidade. A gente não tinha acesso aos automóveis do campus e tinha que andar ou pegar ônibus, mas a condução lá também não é barata. Nos restava ir andando até a cidade quando necessário, uma caminhada de meia hora, pela rodovia ou por um bosque. A Inglaterra é um lugar bem seguro e eu nunca vi nada suspeito, e sempre via famílias pelo caminho. O chato é que a pé não dava pra fazer grandes compras e estávamos restritos a fazer as coisas perto de casa. Pra nossa sorte, na mesma época haviam outros brasileiros em outro camp hill perto que tinham acesso aos veículos da comunidade deles, então as vezes a gente combinava de sair junto (quando as folgas calhavam) e até ir pra balada.
A "desvantagem" de trabalhar em escola é um calendário mais rígido, pois tínhamos que obedecer ao calendário escolar e porque em geral são pessoas com comportamentos mais desafiadores do que os de comunidades de adultos. Mas tínhamos as vantagens das férias escolares, que aconteciam por pelo menos 10 dias a cada 2 meses, e éramos remunerados mesmo sem trabalhar (hoje em dia eles mudaram um pouco e os voluntários tem que trabalhar em algumas férias) - e ainda ganhávamos voucher do super mercado para fazer compras de comidas já que nossas casas ficavam sem comida.
O caminho das pedras
Eu me inscrevi super tarde para o voluntariado no camp hill que escolhi, mas as inscrições começam em novembro pro ano letivo que começa em setembro do ano seguinte. Para se inscrever é preciso preencher um formulário em inglês e enviar pro e-mail, tudo nessa página.
Como disse, me inscrevi super tarde, então não custa nada tentar mandar um e-mail mesmo agora, quando eles dizem que já estão fazendo a seleção.
Para participar, não precisa de muito: ser maior de idade, ter uma ficha de antecedentes criminais limpa (eles pedem aquela que dá pra tirar online - acho que é a estadual) e ter vontade de tentar se comunicar em inglês - ou seja, fluência não é requisito!
Uma vez selecionado, eles marcam uma entrevista por Skype, com o RH e os responsáveis pelo "care". É uma entrevista descontraída, em que eles querem saber se você tem mesmo vontade de ajudar o próximo e está preparado para uma vida de trabalho intensa (no sentido de que toda a hora no trabalho pode ser muito trabalho, não de que são muitas horas, até porque são só 40h semanais e não existe hora extra para voluntários). Não é preciso ter nenhuma experiência prévia, mas sim muita boa vontade e uma mente aberta para ajudar pessoas com necessidades especiais.
Se você passar na entrevista, eles ainda vão pedir 2 referências. Eles pedem o contato e também pedem para eles preencherem uma ficha. Na verdade acho que eles nunca ligaram pras minhas, mas é bom avisar quem você vai dar de referência pra ficarem avisados.
Depois eles mandam uma carta de aceitação e um documento para levar ao consulado.
Para solicitar o visto* de voluntariado, é preciso criar um login na página da imigração e preencher uns formulários, além de pagar as taxas de processamento de visto - e agendar um dia para levar os documentos no centro de visto - e a taxa do serviço nacional de saúde. Ao todo, só com essas taxas eu gastei quase R$ 2.000 (pagos no cartão pelo próprio site).
O visto é processado pelo consulado em Bogotá, então aqui no Brasil o solicitante vai entregar os formulários impressos, a carta do empregador e o passaporte e cadastrar a biometria. Após todos os documentos estarem em ordem, eles cadastram o seu e-mail e é por lá que eles avisam todos os passos tomados, desde quando o passaporte chega em Bogotá até o retorno. É possível pedir a entrega via sedex ou então ir buscar no centro de visto (eu preferi ir lá buscar). O meu processo levou umas 3 semanas, que é o tempo estimado que o site me dava na época mesmo.
Com o visto em mãos, eu marquei a passagem de ida e volta com validade de 1 ano. É importante saber se a passagem que está comprando tem esta validade mesmo, pois essas passagens promocionais que vemos por ai em geral são as de curta duração, de até 3 meses. A passagem de 1 ano tem que ter a volta remarcada pois pelas normas de aviação não é possível marcar o retorno com mais de 300 dias de antecedência da emissão. E as companhias aéreas cobram por essa remarcação. Um bom agente vai então marcar o retorno com a data com a melhor tarifa, porque você já vai ter esse gasto (é bom perguntar pro seu agente qual é a taxa cobrada pra cada companhia).
Na época a melhor tarifa era a Air Europa, que é uma baixo custo espanhola que tem voos intercontinentais. Mas eu não a recomendo pois os equipamentos são antigos e simples, e o serviço é péssimo. No voo de ida houve um atraso de 3 horas em que fomos praticamente mantidos em cativeiro dentro da aeronave sem nenhuma explicação e até sem água (só deram água quando os passageiros reclamaram). Com isso perdi minha conexão em Madri, para Londres, e quando cheguei não tinha uma pessoa pra me explicar o que eu deveria fazer. Depois de passar pela imigração também não tinha uma pessoa com a informação correta sobre as malas (que deveriam ser despachadas direto para o destino final) e eu embarquei sem saber se eu as veria em Londres. E no voo de volta a mulher do check in em Gatwick foi super grossa e burra e eu tive que ficar explicando como ela deveria fazer o trabalho dela, porque ela não podia nem prestar atenção no anuncio nas suas costas de que eu podia levar mala de mão de até 10kgs... Enfim, não usem Air Europa, é uma bosta.
VIVER NA EUROPA
Vou confessar que eu não sabia nada de Europa antes de ir, mas achava que sabia. Simplesmente porque conheço bem a América e achava que seria bem parecido.
Mas não é!
E isso não é necessariamente ruim. Verdade que a primeira impressão não foi boa, pois chegamos 1 semana antes das aulas começarem, para termos treinamentos, e as casas estavam todas um caos. Sujas, desorganizadas, abandonadas (pois eles não tem alojamento durante o verão, então não fica ninguém lá por pelo menos 1 mês).
Mas isso foi o superficial. Eu entendi como eu era super americanizada antes de viajar pra Europa mas nunca tinha percebido. Na América tudo é novo e asséptico, temos uma mania de limpeza, principalmente no Brasil (por sermos um país tropical a higiene é primordial para evitar doenças "naturais), enquanto que na Europa não existe tanta preocupação com o novo, e sim uma preocupação maior com a função das coisas e evitar o desperdício (aquela coisa de consciência da quantidade porque em uma época houve pouca oferta dos itens mais básicos, etc etc).
Mas o que mais me impactou foi como a Europa é assistencialista, e como eles não veem isso como algo que ameace o capitalismo ou a democracia deles. Eles acham natural que o governo dê apoio não só na saúde e na educação, mas também assistam famílias com pessoas com deficiência, não importando a classe social. Todo mundo tem direito a assistência para tratar das necessidades especiais, por exemplo. As famílias recebem subsídio para colocarem seus filhos em escolas especiais, para fazer tratamentos e tem apoio de uma assistente social periodicamente.
Também me surpreendeu como a Europa é diversa em etnias. Claro que o Brasil também é, mas sempre ouvi sobre a xenofobia, então não imaginava que realmente o mundo estivesse ali. Mas não só isso, as pessoas se mudam de mala e cuia pra Europa e se tornam europeias mesmo!
Acho que todo mundo deveria ter essa experiência de ir para um lugar onde o governo consegue cuidar da população pra entender a importância de dar assistência aos mais necessitados. Isso não é comunismo, isso é dar oportunidades a todos!
Ah, com isso também entendi como a Europa é um lugar com uma discrepância sócio-econômica muito menor que a nossa e como isso impacta a vida de todo mundo, gerando muito menos violência. Ok que tem terrorismo, mas o terrorismo tem origem política. Na rua existe uma sensação de segurança que é muito maior do que nos Estados Unidos, porque existe esse sentimento de que todo mundo está no mesmo barco e que todo mundo pode ascender pelo próprio esforço, que existe um amparo muito maior do Estado às pessoas mais vulneráveis.
Claro que existe um apelo ao consumo, pois a Europa é parte do capitalismo, mas é muito menos agressivo do que em outras partes do mundo, como no Japão. Faz parte do cotidiano do europeu o acesso a cultura e a história, e o consumo é só um acessório da vida deles. As coisas não são baratas, então eles tem que pensar no que investir e fazer compras enlouquecidamente não é uma prioridade.
TIRAR UM ANO SABÁTICO
Meu ano acabou sendo multiplicado, porque ele também começou antes do que eu planejava. Para que isso fosse possível, houve planejamento, economia e suporte da minha família. O ano sabático só pode ser uma realidade se você se organizar para tal e não é uma opção para todos, eu sei disso. Tenho muita sorte de contar com uma rede de apoio que me proporciona realizar meus sonhos, por mais modestos que sejam (em relação a esses anos sabáticos de viagem, curtição e gastação que se vê por ai). Mas acho que dentro do meu círculo social ele é sim possível, se a gente parar de se sabotar.
Eu estava infeliz com muitas coisas e a procura de um sentido para a vida, um propósito. Nesse quesito, fazer o voluntariado caiu como uma luva pra me ajudar a me re-centrar.
Eu também precisava de um tempo longe dessa vida de compromisso social. Não de ter que encontrar meus amigos, mas essa obrigação de ter uma carreira, de ter que marcar presença nos eventos da cidade, de ter uma agenda. Ir pra um lugar onde eu estava longe de tudo isso, onde nada acontecia, onde eu não tinha obrigação com ninguém, as vezes parecia desesperador, mas é o que eu precisava pra resetar essa "programação" vida. Eu gosto muito de morar em SP, mas as vezes a vida pode ser enlouquecedora, e me afastar foi importante pra entender o que era realmente importante.
E no fim, ganhar um sobrinho que não estava no planejamento, foi uma surpresa maravilhosa que valeu a pena ter que largar o voluntariado mais cedo e ficar em casa. Acho que no fim eu soube administrar os acontecimentos de uma forma tranquila porque tive tempo de repensar a vida e reavaliar as prioridades.
Mesmo que não haja dinheiro para grandes viagens, um período sabático faz bem pra todo mundo que se encontra nessa loucura de casa-trabalho-boleto pra pagar. Porque eu vejo muita gente insatisfeita com a vida, que tem muito mais momentos desagradáveis do que de prazer e a vida não é isso, a vida é pra ser vivida da melhor forma já que a gente só tem essa chance de ser feliz ;)
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Marcadores: #beda, ano sabático, camp hill, inglaterra

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terça-feira, 29 de dezembro de 2015 at 10:30
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O senso comum diz que 2015 foi um ano péssimo, daqueles que entrarão pra história como um dos piores da existência da humanidade, prncipalmente se você é brasileiro e classe média (sofre) - afinal, a Dilma continua na presidência, Haddad fica abrindo ciclovia e diminuindo limite de velocidade nas vias expressas de São Paulo e o dolar lá nas alturas impede seu desejo de consumir e viajar pra Miami.
Eu não vou dizer que 2015 foi excelente pra mim, afinal, perdi uma daquelas pessoas que era parte integral da minha vida, de quem eu (e só eu) podia reclamar, mas que eu nunca imaginei que ia conseguir viver sem: minha vó, a única que eu conheci.
Mas 2015 foi incrível, e apesar dos memes serem deliciosos de compartilhar, esse ano vai sim deixar uma saudade boa na minha memória. Em 2015 até os males vieram pra muito bem.
Depois de algum tempo de saco cheio do turismo, consegui me livrar dele da melhor forma possível: sendo demitida no começo da crise. Melhor? Porque o brasileiro não pode reclamar em nada das leis trabalhistas: demitida sem justa causa, tive direito a multas de recisão, retirada de FGTS e seguro desemprego, que não é uma fortuna, mas com um pouco de planejamento, dá pra sobreviver muito bem.
Tive a visita da minha irmã canadense e passeei bastante com ela. Pude mostrar a minha vida pra alguém que eu gosto tanto, cuja a vida eu já tinha partilhado outras vezes.
Também fui passear e me dei umas férias que eu queria muito, que era voltar pro Japão e aproveitar o que tanto o pessoal falava - e ó, poucas vezes gostei tanto de um passeio assim!
E agora, cá estou, do outro lado do oceano, aprendendo um tanto de coisas que eu estou me esforçando pra passar. Coisas que eu mesmo queria me por a prova, e outras que eu nem imaginava.
O importante desse ano foi aprender a preciosidade do tempo. A gente vive correndo de um lado pro outro, preocupados com o que a gente "tem" que fazer, sem se dar conta do que importa de verdade. Isso não é uma epifania de alguém que se jogou num ano sabático, é uma realidade que a gente sabe que existe, mas não dá valor o suficiente. A vida adulta é massacrante, a gente é mergulhado nela sem se dar conta e quando vemos, parece que é tarde demais. Mas saibam: nunca é tarde demais pra equilibrar a sua vida e buscar a felicidade.
Deixo 2015 esperando que 2016 seja tão incrível quanto. Sei que por metade do ano que vem ainda estarei colhendo frutos do que comecei em 2015, mas espero que isso realmente floresça e me leve pra mais longe.
Marcadores: ano sabático, pessoal, resoluções de ano novo

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segunda-feira, 23 de novembro de 2015 at 10:30
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alô, alô? planeta terra chamando!
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Eu sei que eu sumi desde que as aulas voltaram, mas é que meio que a vida começou a virar rotina por aqui. Não tô falando que isso é ruim, mas deixou de ser aquela novidade constante pra postar. Quem quiser uns posts mais resumidos, fique a vontade de ler o meu outro blog, feito pra viagem, o virginiayoshikawa.com.br (ainda quero postar aqui melhor sobre a viagem pra Bath, don't worry!).
Por causa da redução de luz do dia, também tenho ficado mais cansada - ou será o frio? Tem dia que só quero ficar sentada na cadeira olhando pro nada,sabe? Uma sindrome de adolescente tardia, haha! Sério, tá anoitecendo antes das 17h!!! E até o natal, só piora... Não vejo a hra do natal chegar pro dia voltar a ter mais luz natural, aos poucos! É meio desesperador quando você percebe que a cada dia a noite começa mais e mais cedo...
Tô tentando voltar pra dieta (dukan) aos poucos e acho que vou conseguir. Aos poucos o pessoal tá se tocando que eu não tô comendo as tortas e massas e tô comendo salada sempre. Ainda mo muito ovo, porque é o de mais fácil que tem pra fazer e obter, mas aos poucos tô comendo mais frango. Peixe é dificil de eu achar - o que é um ultraje, numa ilha! Carne vermelha é luxo, nem vou reclamar. Só direi que poderei viver de churrascaria por um bom tempo quando voltar pro Brasil, HAHA!
AND ainda não decidi meu fim de ano. Com os ataques de Paris, tudo ficou incerto - mas ainda vou pra Paris antes de voltar pro Brasil, isso é certo sim! Se alguém tiver uma dica baratinha (até 100 Libras) pro ano novo, somos todos ouvidos =PMarcadores: ano sabático, diarinho, diário de viagem, dieta, dukan, inglaterra, inverno, londres, pessoal, realidade, ringwood, update, voluntariado

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segunda-feira, 27 de julho de 2015 at 10:30
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ano sabático e o voluntariado
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Acho que nunca entrei em detalhes aqui sobre essa fase da minha vida. A gente lê por ai sobre um monte de gente que cansou da vida e resolveu tirar umas férias indeterminadas mas nunca de fato conhece uma, nunca é uma pessoa próxima. Porém isso não pode impedir de ir lá e ser a primeira do grupo, né?
Eu já estava de saco cheio do mundo do turismo há um tempo. Um campo ingrato que exige muita formação, com salários de chorar e nada de reconhecimento. E pra piorar, apesar de eu não estar no atendimento direto, fazia parte de vendas (back office) e só tomava na cabeça. Já tava querendo dar um tempo de tudo e inclusive me planejando pra isso quando a crise veio e, combinado com o fato da gerente da área não ir com a minha cara (quem me levou pra lá foi o dono), levei o corte.
Foi alguns meses mais cedo do que eu estava me preparando, mas no fim foi até melhor. Já estava desmotivada e com a demissão, recebi as multas, fgts e seguro desemprego.
O seguro não é grandes coisas, mas eu também não tenho grandes contas fixas. O segredo é sempre estar preparado. Eu tinha um dinheiro guardado, que é o dinheiro que eu sempre separo do salário, geralmente pensando em uma viagem, mas que pode ser pra qualquer outra emergência, claro. E o fgts. Não sai gastando porque de repente tinha esse dinheiro "sobrando". Guardei pensando que seria melhor gasto quando tivesse um plano.
O único problema é que eu não estava preparada psicologicamente para ter tanto tempo livre pra mim. Eu geralmente planejo muito na minha mente o que vou fazer, como eu vou fazer, quais os resultados eu quero alcançar, mesmo que nada saia conforme o esperado. Eu fico perdida sem esse planejamento.
Fiquei sim um tempo perdida sem saber o que fazer, com mil coisas passando pela cabeça mas sem nada que me prendesse.
Acho que essa coisa de retorno de Saturno e crise dos 30 é um fatão da minha geração, é a nossa crise de meia idade. Somos uma geração atrasada, na verdade. Passamos pelas etapas nas idades certas, mas sem maturidade nenhuma. Ainda somos adolescentes quando nos formamos na faculdade, não temos maturidade nem experiência pra avaliar o que fazer com a oportunidade de escolher um emprego, uma profissão e uma carreira e muito menos para perceber que estamos fazendo escolhas das quais nos arrependeremos no futuro. E um tempo depois, quando a poeira baixa e nos acostumamos a vida adulta, entramos em parafuso nos perguntando o que fizemos das nossas vidas, desesperados para procurar fazer a coisa certa. Somos a camada predominante da população e é por isso que parece que de repente todo mundo está em crise e largando tudo pra trás. E em parte é isso que acabou me motivando a fazer o mesmo. Como muita gente da minha idade está passando por crises e tendo culhões para fazer mudanças na vida deles, isso me mostrou que eu não estou velha como eu pensava para fazer o mesmo.
Uma das questões que começou a me incomodar muito foi o fato de que eu sentia que não estava fazendo nada de significativo pro mundo com minha profissão. Comecei a questionar qual o sentido da vida e qual minha missão, o que eu deixaria pro mundo (já adianto que não tem nada a ver com a -falta de- vontade de ter filhos) e comecei a pesquisar como eu poderia ajudar o mundo.
Foi ai que, numa conversa de bar, um amigo que também estava de saco cheio da vida me contou sobre aquilo que está prestes a mudar nossas vidas.
Camp hill é uma filosofia de ajuda holística a crianças e jovens com necessidades especiais de diversos níveis. É um trabalho de socialização e inserção dessas pessoas de maneira completa e sensível. Existem instituições camp hill espalhadas pelo mundo.
Meu amigo tem amigos no camp hill da Inglaterra que cuida de crianças de 6 a 19 anos e fizeram a "propaganda" do lugar, contando do esquema do voluntariado.
Funciona assim: você entra em contato com eles demonstrando interesse em se candidatar a uma vaga de voluntariado, eles pedem para responder um formulário e fazem uma entrevista via Skype com o RH. Eles perguntam de tudo, como uma entrevista de emprego. Perguntam o que você faz, como conheceu o camp, se está ciente de que é um trabalho que também exige físico (ao contrário do que estamos acostumados, não é ficar sentado o tempo todo na frente do computador) e muito contato com os alunos e se acha que suas experiências de vida podem ajudar no dia a dia do voluntariado. Não é necessário ter inglês fluente, precisa conseguir se comunicar (se virar) no dia a dia e não precisa ter experiência em cuidados com pessoas com necessidades especiais, mas é preciso ter vontade de aprender e ajudar o próximo, de se comprometer e não deixar a peteca cair.
No formulário eles pedem 2 contatos para referências e depois do resultado (positivo) eles entram em contato com essas pessoas para pedir mais informações sobre você. Nessa fase também pedem um atestado de antecedentes criminais que pode ser aquele eletrônico.
Eu não achei a entrevista particularmente difícil, mas geralmente me saio bem nelas, não preciso de ensaio. Não é responsabilidade dos entrevistadores avaliar o nível do seu inglês, mas se você não conseguir interagir com essas pessoas, o que dirá do dia a dia com os alunos? Os entrevistadores são de diferentes nacionalidades, então o sotaque britânico não é um grande empecilho.
A resposta veio poucos dias depois, falando das referências e logo veio também as instruções para a solicitação do visto (no caso das pessoas sem passaporte europeu). Eu indiquei meu ex RH (que já havia se oferecido para dar referências na época da minha demissão) e uma amiga dos tempos de colégio, com quem fiz um trabalho para a opus dei back in the day.
Tirar visto é sempre chato. E nesse caso tinha que descobrir na unha todo o tipo de informação. Começa pelo fato do site da imigração do Reino Unido ter muita informação e não ser muito claro que caminho você tem que tomar para tirar dúvidas ou para solicitar o visto. Entrei em contato com a embaixada que explicou que os consulados aqui não emitem vistos (wtf?) e que eu deveria procurar um centro de visto (tipo o do Canadá). A primeira etapa é toda eletrônica. No caso desse voluntariado eu deveria solicitar um visto Tier 5 de trabalho voluntário. Como vou passar 1 ano, antes de tudo deveria pagar uma taxa de "seguro saúde" de 200 libras (sem isso não tem como prosseguir) e preencher o formulário.
No caso desse camp, eles providenciam moradia e alimentação durante o voluntariado, então para a solicitação de visto eu não precisei provar nenhum tipo de fundo financeiro (durante o período eles pagam 35 libras por semana para "gastos pessoais" como compra de produtos de higiene).
Feito os procedimentos online e pago as taxas (mais uns US$ 300) você pode agendar um dia para a entrega desses documentos (formulários e a carta de patrocínio que a instituição deve providenciar - pode ser a cópia que enviam por email) e fazer o cadastro biométrico. Ai o passaporte e os documentos são enviados (no caso do Brasil) para Bogotá onde será avaliado. Todas as etapas são informadas por email (desde a chegada do passaporte no consulado colombiano até o despacho final para o Brasil e a data em que deve ser retirado) mas o resultado você só fica sabendo quando retira o passaporte (ou recebe via sedex).
Confesso que sempre fico tensa sobre os resultados pois sabemos que mesmo que não tenhamos nada contra nosso nome, os consulados podem negar um visto só porque eles tem esse poder... Não é pessoal, é roleta russa mesmo (para quem não "deve" nada).
Com toda a burocracia resolvida, ainda falta comprar a passagem, que deve ter validade de 1 ano. Não adianta pegar essas de promoção online que não permitem marcar a volta pra mais de 3 meses depois do embarque. Elas são baratas exatamente porque valem por menos tempo. Eu escolhi cotar com uma empresa especializada em intercâmbio pois estão acostumados com esse tipo de passagem e então tem acesso a uma gama maior de opções. Como sempre, é bom planejar viagem com "margem de erro" e estou cotando a chegada com 1 dia de antecedência do dia que devo me apresentar no camp.
Além disso, tenho que organizar minha vida no Brasil para essa ausência de 1 ano. O que significa empacotar minhas coisas que estão em São Paulo e levar de volta para a casa da minha mãe no interior. Trabalho nada fácil, uma vez que minha vida acontecia principalmente em SP nos últimos 5 anos (ir pra "casa" era só a passeio) e eu tenho a mania de acumular coisas (um monte de sapatos, de bichos de pelúcia, de toy art, etc)...
Sem contar, claro, de me despedir dos amigos. Já marquei uma data, e claro que que tem gente que não vai poder ir e eu terei que encontrar em outras datas.
"Deixar as coisas pra trás" não é uma decisão simples nem covarde. Exige desprendimento e coragem para sair da zona de conforto, pra se aventurar no novo e desconhecido e principalmente pra deixar de conviver com quem a gente mais ama. E pra mim, de tudo, o que vou mais sentir falta vai ser de poder encontrar com meus amigos quando dá na telha, ou ver minha mãe a cada 15 dias, ou passar o fim de semana com a Brisa...
(to be continued... for sure!)
Marcadores: ano sabático, camp hill, inglaterra, vistos, voluntariado

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Pode me chamar de Vy. Balzaquiana com cara de universitária. Turismóloga de formação.
Rodinha não só nos pés, mas no coração também. Introvertida. Blogueira old school.
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